Tuesday, October 27, 2009

JAMPA 2010 - VIOLÊNCIA URBANA : POR UMA NOVA NARRATIVA

A questão da violência urbana é discutida em muitas arenas, das rodas de amigos à esfera pública, constituindo-se num problema que atinge a todos e para o qual muitos têm opiniões de como resolvê-lo. No entanto, o tema da violência urbana ainda não ganhou a narrativa correta, que expresse e traduza toda a sua urgëncia e calamidade. Nós, amigos de Jampa, acreditamos que sua candidatura seria instrumental para vocalizar essa nova narrativa.

Só este ano em Pernambuco,
3348 cidadãos brasileiros foram vítimas de homicídio. No mês de outubro, que chega ao fim agora, 277 pessoas morreram assassinadas em nosso estado. O governo comemora a diminuição dos índices (afinal, no último ano do governo Jarbas-Mendonça foram vítimas de homicídio nada menos que 4638 pernambucanos), mas os números são ainda absolutamente inacetáveis, sobretudo quando os colocamos numa perspectiva maior.

Só para se ter uma ideia: No chamado "Conflito Israel-Palestina" foram mortos, entre 2000 e 2009, 6348 palestinos. A opinião pública internacional, com toda razão, considera essa situação insustentável e absurda.
Em dois anos, são mortas mais pessoas em Pernambuco do que durante nove anos na Palestina. Segundo Nilmário Miranda , no seu livro Dos filhos deste solo, 424 pessoas foram mortas pela ditadura brasileira (1964-1985). Até hoje lembramos esses mortos como símbolos de uma época para qual jamais devemos retornar. Pois bem, no estado estado de Pernambuco, em apenas 2 meses, chegamos a um número de mortes maior do que aqueles cometidos pelos fascínoras da dituradura brasileira em 20 anos.

Todos esses números mostram a calamidade em que vive Pernambuco, a despeito de todas as tímidas melhoras nos índices de violência dos últimos anos. A verdade é: um contingente de 4 mil pobres são assassinados anualmente em Pernambuco. É necessário estabelecer uma nova e mais acurada narrativa sobre a violência pernambucana em que se evidencie quem são suas principais vítimas (os cidadãos que moram em áreas mais carentes) e o sentimento de urgência para combater esse problema, tendo em vista a magnitude impressionante de homicídios em nosso estado.

A situação dos inaceitáveis índices de violência em Pernambuco lembra a anedota em que uma família passa a viver com um imenso elefente mal-cheiroso em sua sala. No começo, é um pouco desconfortável, mas depois todos se acostumavam com seu tamanho e com sua sujeira a ponto de torná-lo invisível. É necessário que alguém grite, lá na Assembleia Legislativa, todos os dias que há um imenso elefante na nossa sala. A candidatura de Jampa poderia articular essa nova narrativa, de que tantos necessitamos.


3 comments:

Eduardo said...

Coincidentemente, escrevi hoje um desabafo que tem como tema o Pacto pela Vida. No www.horoscopo.blogspot.com

Bernardo Jurema said...

análise sucinta, lúcida e objetiva.

só há comoção quando a vítima é de classe média. é preciso manifestar a indignação diante da morte fútil de um concidadão, independentemente de sua origem social, mas simplesmente pela injustiça da morte prematura e violenta.

temos que recuperar a nossa capacidade de indignar-se com a injustiça e a desigualdade expressas nesses números apresentados nesse texto.

ebamorim said...

Por que vocês não assinam cada uma das contribuições? Essa mesmo eu achava que era de Bernardo, ai só vi que não era porque ele veio elogiar...